Márcia Cunha ShimizuPsicanalista

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Saúde mental no trabalho

Transição de carreira depois dos 40: o que se perde e o que se abre

Saídas, recomeços e a identidade profissional em movimento.

Por Márcia Cunha Shimizu, psicanalista · Outubro de 2026

A transição de carreira depois dos 40 raramente é só uma troca de emprego. Ela mexe com a identidade, o status, a rotina, a rede de relações e com a pergunta sobre o que se quer fazer com o tempo que vem.

Transição de carreira: quando mudar também significa perder

Mesmo quando é desejada, uma mudança de carreira envolve perdas. Deixa-se para trás um cargo, um crachá, um jeito de ser reconhecida, colegas e uma rotina que, bem ou mal, organizava a vida. É comum sentir alívio e tristeza ao mesmo tempo.

Na psicanálise, chamamos de luto o trabalho psíquico de elaborar uma perda. Reconhecer esse luto ajuda a não confundir o desconforto da mudança com um sinal de que ela está errada.

Quando a mudança é escolhida e quando é imposta

Algumas transições começam com uma decisão: o desejo de fazer outra coisa, de ter mais autonomia, de dar sentido ao trabalho. Outras começam com uma demissão, uma reestruturação ou um adoecimento. Nos dois casos, aparecem dúvidas, medo e ambivalência.

Perguntas como “e se eu me arrepender?” ou “será que ainda dá tempo?” não pedem respostas rápidas. Elas pedem espaço para serem pensadas.

Uma carreira não linear também conta uma história.

Minha própria transição

Construí mais de 16 anos de carreira corporativa antes de me tornar psicanalista. Em 2014, iniciei a formação em psicanálise e, por três anos, dividi o tempo entre a clínica e a empresa. Sei, por experiência, que uma transição tem medo, entusiasmo, dúvida e cansaço, muitas vezes no mesmo dia.

Como a psicanálise ajuda numa transição de carreira

A psicanálise não oferece um plano pronto nem testes de perfil. Ela ajuda a separar o que é desejo próprio do que são expectativas da família, do mercado ou de uma imagem idealizada de sucesso. Também ajuda a perceber repetições: escolhas que se parecem, conflitos que voltam em lugares diferentes.

Com isso, a decisão deixa de ser uma aposta no escuro e passa a se apoiar em um entendimento maior de si.

Um percurso em três tempos

Para quem vive uma transição, o Atendimento Breve Focal propõe um percurso de 10 a 16 encontros, inspirado no tempo lógico de Lacan: reconhecer o que está em jogo, elaborar os sentidos e os caminhos possíveis e movimentar-se, com um plano de ação construído pela própria pessoa. Leia também sobre sinais de esgotamento e burnout.

Perguntas frequentes

Preciso já ter decidido mudar para procurar ajuda?

Não. Muitas pessoas chegam justamente porque ainda não sabem o que querem.

Isso é coaching de carreira?

Não. O foco é a escuta do que está em jogo para você, e não metas definidas de fora.

Para os momentos em que uma decisão pede espaço para ser pensada.

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