Riscos psicossociais e saúde mental entraram na pauta das empresas brasileiras com a atualização da NR-1. A Norma Regulamentadora nº 1 passou a prever, de forma expressa, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
A mudança foi feita pela Portaria MTE nº 1.419/2024. A exigência de incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos foi adiada pela Portaria MTE nº 765/2025 e passou a valer em maio de 2026.
O que é a NR-1
A NR-1 reúne as disposições gerais de segurança e saúde no trabalho e define como as empresas devem fazer o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO. Esse gerenciamento é documentado no Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR, que identifica perigos, avalia riscos e define medidas de prevenção.
O que são riscos psicossociais
São fatores ligados à organização do trabalho e às relações que podem afetar a saúde mental das pessoas. Alguns exemplos:
- excesso de demandas e metas inalcançáveis;
- baixa autonomia e pouca clareza sobre o próprio papel;
- falta de apoio de lideranças e colegas;
- assédio moral ou sexual e conflitos frequentes;
- mudanças mal comunicadas e insegurança constante;
- jornadas extensas e dificuldade de desconectar.
NR-1 e riscos psicossociais: o que muda para as empresas
Com a atualização, os riscos psicossociais passam a ser tratados como os demais riscos ocupacionais: precisam ser identificados, avaliados, acompanhados e incluídos em planos de ação. Esse trabalho deve ser conduzido por profissionais de segurança e saúde no trabalho, com participação das lideranças, do RH e dos próprios trabalhadores.
Saúde mental no trabalho não se resolve com um evento, mas pode começar com uma boa conversa.
Onde entram palestras e rodas de conversa
Palestras, rodas de conversa e jornadas temáticas contribuem para a conscientização, a prevenção e a criação de espaços de escuta. Elas ajudam lideranças a reconhecer sinais de sofrimento e equipes a falar sobre o que antes era silenciado.
Mas essas ações não substituem a avaliação técnica dos riscos, o GRO nem o PGR. O ideal é que façam parte de um plano maior, integrado às equipes de saúde e segurança.
A saúde da mulher 40+ nesse contexto
Questões como a menopausa no trabalho ainda são pouco discutidas nas empresas. Em um levantamento com base de mais de 20 mil mulheres, 44% disseram sentir-se menos produtivas no trabalho.
Fonte: Teste da Menopausa Plenapausa, questionário online de resposta voluntária (2021–2025). O dado também foi repercutido pela Forbes Brasil em 2024.
Incluir a saúde da mulher na conversa sobre riscos psicossociais é uma forma concreta de cuidar de quem está no auge da experiência profissional. Conheça as palestras e jornadas para empresas e o artigo sobre burnout.